[WebSerie] “A Rainha Bruxa – A Ascensão” By BlackYue. Capitulo 2.

30 Oct

 

Depois de muito tempo sem postar e de ter deixado essa minha webserie de lado, resolvi voltar a publica-la! Mesmo indo para o segundo capitulo apenas, vou continuar com ela! espero que gostem!

Sinopse : 

“Em uma europa no inicio da idade media, enquanto ainda a ecos do imperio romano. Uma mulher tenta passar desapercebida entre os servos de um feudo. Mas seus cinco anos de paz estão prestes a acabar, quando o mal começa a espreita-la e uma fuga bem planejada se pões em marcha.

Desta vez ela não podera se esconder mais. Seu legado a clama e o retorno a seu antigo lar é inevitavel.”

“A Rainha Bruxa – A Ascensão. de Rafaela BlackYue”

Em breve um trailer para a webserie estará sendo posta no ar!

Capitulo 2

Em segundos o chalé estava totalmente em chamas. Eu não tinha muito tempo até que a pequena estrutura ruísse. Os soldados gritavam apavorados do ladro de fora, por que o fogo havia vindo de lugar nenhum. Mas o fogo os manteria ocupados o suficiente para eu entrar no túnel.

Fui até o meio do cômodo e levantei o alçapão que ocultava a entrada. Eu o havia cavado com o meu dom sobre os elementos. Ele ficava a uns cinco metros da superfície, tinha dois metros de altura por um de largura, o suficiente par eu me locomover com rapidez sem precisar ficar encurvada. O túnel me levava até uma formação de cavernas que se estendia por quilômetros e que a terra havia me cantado quando eu cheguei naquelas redondezas. Era uma rota de fuga perfeita, ela me levava para o norte, aonde a cadeia de cavernas acabava no sopé do inicio de uma das cordilheiras a beira da nascente de um rio. Eles jamais imaginariam que eu correria para o norte. Eu sempre vagava pra o sul, tentando me distanciar ao máximo de minha terra natal. Desta vez eu não poderia ser obvia tinha que ser o mais imprevisível o possível.

Senti as raízes das arvores se retorcerem de antecipação. O mal estava a galope para me caçar. As criaturas da noite se escondiam em suas tocas na superfície e eu sentia o calafrio da morte em minha nuca.

Alva e Lupin haviam começado a carreira para percorrer pela superfície o caminho que os levaria até me encontrar no fim da caverna. Para eles era mais perigoso por que a terra me protegia, mas se eles fossem pegos poderiam encontrar minha localização e o pior eu ficaria mais desprotegida ainda.

Atrás de mim eu ia selando o túnel, fazendo a terra retornar ao lugar de onde eu havia a retirado. Só alguém como eu perceberia as nuances na terra revolvida por onde o túnel se selava. Os Necromancers por serem criaturas antinaturais jamais sentiriam esta mudança. Meus rastros por enquanto estavam apagados.

O ar frio e úmido da caverna bateu no meu rosto quando eu finalmente sai do túnel depois de meia hora ou mais correndo por ele. Eu não enxergava um palmo na frente do nariz e sabia que se eu não queria cair nos precipícios que havia a frente teria que ascender um fogo bruxo. Eu preferia ficar oculta na escuridão, mas eu não tinha os olhos dos meus guardiões para me ajudar. Meus olhos eram bem humanos e a luz era necessária. Trancando a respiração de antecipação, convoquei meu dom pelos elementos incutindo magia no processo o que fez o fogo não consumir oxigênio e sim a própria energia mágica que emanava de todas as coisas existentes. Eu estava a uns dez metros da superfície e aquela caverna se aprofundava quilômetros dentro da terra, fazendo o ar ficar estagnado. Pensando nisso chamei pelo ar que entrava naquele ponto dentro da caverna por uma pequena fissura em uma rocha na superfície. O Ar me atendeu, me cumprimentando com uma leve brisa que fez revoar os poucos cachos de meu cabelo que caiam pelo meu rosto. Eu agradeci sua presença e pedi que ele me acompanhasse nas profundezas daquela caverna para que eu não morresse asfixiada ou envenenada pelos gazes que se cumulavam ali.

A carreira foi tortuosa, perigosa e cansativa, mas eu não podia parar para descansar. As horas se passaram e eu não parei um minuto de correr. O suor empapava meu rosto e minhas roupas, por mais que ali estava tão frio quanto na superfície. O esforço que eu fazia pra continuar rápido e carregando todo aquele peso me era penoso.

Porem era impossível eu deixar qualquer de meus utensílios para trás

Era o meu dote. E eu nunca poderia chegar à fase adulta sem ele. Um dote para uma bruxa não era penas o que ela oferecia a família do seu noivo como era com as donzelas humanas. O dote de uma bruxa era seu poder, seus utensílios mágicos, coisas sem as quais seus feitiços e poções jamais teriam os efeitos necessários. Sem meu dote eu não poderia casar também. Se eu não casasse, eu jamais atingiria o auge de meus poderes e jamais acenderia ao trono.

Sim era isso o que eu era uma Bruxa. Mas não como vocês estão costumados a pensar. E muito menus uma criatura de índole má. Nosso povo por muitas vezes éramos chamados de Druidas. Mas esse era outro povo, que por muito tempo havíamos convivido com eles, mas mesmo eles sendo imortais acabaram desaparecendo há muitos anos atrás. Nós somos seres humanos como todos os outros, porem somos sensíveis aos elementos e a magia. Temos aptidão pra a manipulação de ambos e por algum modo desconhecido vivemos mais tempo que os seres humanos comuns. O mais velho ancião que conheci tinha 327 anos e ele já estava com um belo pé na cova…  Estava fraco e muito velho. Lembro-me que depois da vez que o conheci nunca mais o vi com vida.

E sim! como você deve ter percebido eu sou a “Rainha” de meu povo. Tecnicamente pelo menos. Essa é minha herança. Mas eu não subi ao trono oficialmente, não fui coroada pelo meu povo. Quando eu atingisse a maioridade e escolhesse meu consorte, minha mãe se afastaria de suas obrigações eu assumiria o cargo. Porem isso nunca ocorreu. A trinta e cinco anos atrás, em também uma noite fria de inverno a paz que regia o vilarejo onde morava com minha família e parte da corte, foi destruída a cinzas. Nunca mais minha vida seria a mesma e a cada passo que eu desse eu estaria por minha conta. Eu tinha apenas 12 anos.

Alva me tirou de meus devaneios chamando minha atenção que agora a caverna tinha uma subida íngreme. Que eu não tinha tempo para ficar dando voltas em minhas lembranças e nem lamentando o peso que eu estava carregando. – Minha senhora aguente firme! Logo você chegará ao rio e pegara a pequena canoa que nós deixamos na beirada da nascente. Uma vez nela você poderá descansar enquanto a correnteza do rio te carregará para o leste.

Leste! Realmente eu iria para o leste? Depois de trinta e cinco anos, fugindo para o sudoeste, eu refaria meus passos voltando em direção à casa que eu havia abandonado há tanto tempo atrás?

Eu parei abruptamente e senti meu coração se apertar. O ar me faltou por mais que o elemento me mantinha abastecida de oxigênio. Minha boca secou e eu senti minha cabeça vibrar como se um sino havia sido tocado perto demais de meu ouvido.

Por meu link com Alva a senti estremecer e ouvi por seus ouvidos Lupin soltar o uivo mais aterrorizante que ele já havia feito em todo o tempo que eu o conhecia.

Sim havia chegado à hora. Estava em tempo de eu retornar pra casa. E não tinha mais como adiar.

Quando eu finalmente cheguei à saída da caverna, minhas pernas estavam bambas de caminhar por mais de seis horas. Meu fôlego saia por baforadas condensadas pelo frio.

A lua cheia estava alta no céu, o que fazia as águas da pequena nascente brilhar como prata derretida. Eu caminhei me separando da encosta da cordilheira e me direcionando para aonde havia deixado a pequena canoa. A primeira coisa que vi foi o revoar de enormes asas brancas vindo em minha direção. Alva parecia uma assombração na claridade da lua. Ela bateu duas vezes às asas para diminuir o ritmo de voo antes de pousar no meu braço exposto. Eu não havia percebido, mas estava com sorriso nos lábios. Alva era uma coruja totalmente branca, quatro vezes o tamanho de uma coruja normal o que não me possibilitaria carrega-la no meu braço, mas ela diminuiu seu tamanho para poder ser feito. Ela não era uma coruja comum. Ela tinha uma vida tão longa quanto a minha, por que ela era uma guardiã e ela era uma guardiã por que em sua vida anterior ela havia sido uma de nós. – Saudações minha Rainha! Ela me disse assim que se acomodou em meu antebraço. Ter ela tão perto era reconfortante. Alva estava comigo dês que nasci. Ela era um filhote quando eu nasci, mas ela se lembrava de sua vida passada e sabia quem seria seu protegido nesta nova existência. Assim ela foi à primeira coisa que vi antes mesmo do rosto de minha mãe. Era o que ela sempre dizia e eu não duvidava muito. Alva era extremamente possessiva comigo, o que gerava varias brigas com Lupin. Mas ela o aturava melhor do que eu. Alias falando nele.

Eu senti seus olhos em mim antes mesmo de sentir sua presença. Minha cabeça girou de um só golpe na direção em que ele saia da floresta e se aproximava da encosta do rio onde eu e Alva estávamos.

Se um dia você o visse com certeza morreria pelo medo, no mesmo momento. Lupin era um lobo do norte, mas não um lobo qualquer. Seu pelo era extremamente espesso de uma cor cinza rajado de negro. Seus olhos eram de azul extremamente claro, como o gelo antigo das geleiras das montanhas onde eu cresci. E assim como o gelo das montanhas era tão gelado quanto. Mas não eram só seus olhos que intimidavam, seu tamanho era descomunal. Ele era da altura de um pônei talvez mais. Se ele para-se ao meu lado seu lombo ultrapassaria a altura da minha cintura e eu tinha uns bons um metro de noventa de altura.

Ele ficou parado lá, na orla da floresta e não se aproximou. Seu olhar era fixo no meu e eu senti meu sorriso se desmanchar, conforme o olhar dele sobre mim ficava mais intenso.

Era como se com só o seu olhar ele podia enxergar dentro da minha alma, e me prender completamente a sua vontade. Era um olhar possessivo e eu sabia que ele estava furioso com minhas ordens. Mas eu realmente pouco me importava, ele não falaria nada por que não quebraria seu voto de silencio e eu impediria Alva de me passar o recado.

-Ok! Eu disse e continuei. – Não temos tempo para sermões então vamos andando pegar aquela canoa e sair logo daqui, Eu não sinto o mal por perto, mas não devemos baixar a guarda. Eu disse em tom definitivo. Lupin bufou e Alva estremeceu no meu braço, mas eu a cortei antes que ela me repassasse. – Nem precisa… Já sei que ele está possesso! Não temos tempo. Tenho que tirar este maldito vestido se quero me locomover melhor. Se alguém me atacar assim será um prato cheio para o inimigo. Eu terminei já fazendo Alva alçar voo que foi curto, pois ela pousou em um tronco de arvore caído perto da margem do pequeno riacho.

Eu estava morta de cansada, mas não tinha escolha, fui jogando tudo aos meus pés e deixando as armas e meu cajado o mais perto o possível. Antes de retirar o vestido olhei furtivamente para Lupin que continuava na mesma posição. – Lupin… Eu não preciso nem começar não é? Não me interessa quantas vezes você me viu nua quando bebê te vire ou te taco uma pedra… Quem sabe algo pior. Eu disse entre dentes.

Ele bufou e Alva começou a explicar antes de eu poder cortar ela. – Mi Lady… Ele diz que é um erro ele virar as costas para você e te deixar desprotegida quando esta em posição tão vulnerável. Eu arremedei, – Pior é ele deixar minha retaguarda desprotegida e fazendo isso ele não precisa ficar olhando para mim. Agora vá antes que eu perca a paciências.

Ele me deu um ultimo olhar frio que me fez arrepiar toda a costas e passou basicamente trotando por mim e foi se posicionar atrás de mim de frente para a caverna de onde eu havia saído. Enquanto Alva olhava a minha frente.

Tirar um vestido suado, cheio de camadas e espartilhos é mais do que chato, chega a ser revoltante. Eu odiava essa parte da sociedade humana, a cada ano que se passava os vestidos estavam mais pesados, compridos e amarrados. Pareciam mais maquinas de tortura. Graças a Deus as vestimentas no meu povo eram mais fáceis de vestir.

Ficar basicamente nua sobre aquela Lua toda era de congelar até a raiz do cabelo, mas eu não tinha escolha. Tinha que me lembrar constantemente disso e eu não tinha muito tempo também. Retirei minha calça de linho negro de dentro de minha bolsa de viagem e coloquei por cima de minhas ceroulas, para me deixar um pouco mais quente. Retirei minha camisola e amarrei em volta de meus seios, para protegê-los em uma eventual batalha, uma tira de gaze. Eu tinha pouco seio o que me ajudava para me locomover, mas deixa-los soltos se tornava um empecilho. Coloquei minha túnica negra por cima da bandagem e então por ultimo meu colete de couro. Coloquei minhas botas novamente e por cima da calça de linho coloquei uma proteção de couro para montaria. Eu não iria montar tão cedo, mas se eu tivesse que caminhar mais, aquele couro impediria que minhas coxas ficassem em carne viva. Eu sabia que se não tivesse sorte passaria dias caminhando sem poder parar. Isso na mais leve das hipóteses.

Agora meu cabelo… Argh, eu realmente odiava essa parte. Ele estava todo enredado de ter dormido sem desprendê-lo e penteá-lo. Meu cabelo era negro como a noite, espesso e comprido fazendo ele se encaracolar nas pontas. Eu o usava preso em um penteado que as burguesas mais abastadas estavam usando o que era bem complicado de desfazer. Mas eu consegui até que rápido soltar as presilhas e arruma-lo em uma trança firme que me deixaria com mais mobilidade.

Eu estava pronta e até que havia sido rápido. Sim se eu tivesse que ficar parada congelaria pela pouca roupa que carregava, mas como eu não pararia quieta por muito tempo essa roupa era o melhor que podia fazer.

Dobrei o vestido pesado de veludo e tentei coloca-lo dentro de minha bolsa de coro, Quase desisto, mas não podia deixar nada para trás. Consegui amarra-lo a minha mochila e decidi que o próximo vilarejo que encontrasse me desfaria do desgraçado.

Mesmo eu sabendo o quanto eu havia demorado em adquiri-lo, agora ele era um peso morto.

A canoa estava a poucos metros de onde eu estava, onde a nascente começava a se aprofundar e tinha como ter uma pequena navegação. Como eu podia manipular a água não seria muito difícil descer aquele rio em direção ao leste.

Lupin seguiria por terra, enquanto Alva por ar. Eu pelo rio, o que encobriria meus rastros e me deixaria descansar um pouco. Eu não havia perdido a forma por cinco anos de tranquilidade, não mesmo, primeiro por que odiava ficar parada e sempre me mantinha tinindo para  batalha e também, mesmo se eu começa-se com costumes preguiçosos, Alva e Lupin não me deixariam enferrujar. Mas correr em terreno irregular, carregando a casa nas costas, por quase sete horas, deixa qualquer um cansado. E eu precisava estar descansada se precisa-se entrar em um confronto direto.

Faltava ainda muito para amanhecer o que era bom em certa parte. Eu não precisava agora dos artifícios do fogo para enxergar por que tinha os olhos dos meus guardiões, para enxergar na noite que até que estava clara. Já meu inimigo não, o que me dava certa vantagem.

A noite decorreu tranquila até, para uma noite em que eu estava fugindo dos meus inimigos mortais. A canoa deslizou pela água tranquilamente, poucas vezes precisei usar os remos caso havia alguma correnteza. Eu não podia dormir, mas deixar minhas pernas descansar foi a melhor coisa que eu fiz. Além de que por água eu me locomovia muito mais rápido do que a pé, quase tão rápido quanto a cavalo.

Quando amanheceu, o pequeno riacho já estava se tornando um rio caudaloso. Isso queria dizer que seria mais fácil minha canoa ser avistada de longe o que não era algo bom pra mim, quanto mais discrição melhor.

Eu cheguei à margem com o sol desapontando no horizonte, Alva e Lupin esperavam por mim em suas formas pormenorizadas e ainda assim escondidos na vegetação.

- Agora seguimos a pé, novamente, meus calos daqui a pouco vão se amotinar contra mim. Eu disse em um tom baixo enquanto enchia a canoa de pedras, por que eu iria afundá-la. Depois de furar o fundo da pequena embarcação com minha claymore, eu a naveguei com meu poder sobre a água até o meio do rio, lá a deixei afundar, encobrindo qualquer pista de minha passagem por ali.

Finalmente eu respirei fundo e abri meus sentidos para o mundo, depois de só pensar em correr sem olhar para trás estava na hora de sentir as vibrações dos seres e perceber mais a fundo minha situação.

O dia estava claro e muito frio, uma pequena quantidade de vapor de água condensava na superfície mais calma do rio dando um ar de serração matutina, os pássaros cantavam sonolentos ainda acordando de uma noite rigorosa. Mas o mundo ainda parecia que continha a respiração. E isso queria dizer que eu continuava em perigo. Mesmo eu não conseguindo sentir mais a marca obscura do Necromancer. Ainda assim eu sempre confiava nas sensações das criaturas da floresta, o instinto. Ele sempre me manteve viva e eu não iria mais ficar enrolando parada ali.

Eu me enrolei em minha capa de viagem arrumei a alça da bolsa a tiracolo no ombro e rumei a nordeste.

One Response to “[WebSerie] “A Rainha Bruxa – A Ascensão” By BlackYue. Capitulo 2.”

  1. Lily November 6, 2011 at 11:13 am #

    Acabei de ler os dois capítulos e tenho que dizer que adoro suas idéias de história! =)
    Gosto da forma que você escreve, sempre fico empolgada com o que vem pela frente.
    Espero que você continue atualizando, vou esperar pelo trailer. Adoro ter uma idéia de como são os personagens <3

    Beijos!!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 473 other followers